quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Não, voce é que nos abandonou...

     Ola queridos leitores. Gostaria de postar antes de tudo uma boa noticia sobfre o sarau, mas não posso. Há tres dias minha família sepultou um dos seus... JOELMA COSTA PRATA. Tenho tanto a dizer sobre ela, mas estou travada, nem sei por onde começar....
Ela tinha apenas 38 anos de idade e estava começando a refazer a vida depois de ter ficado viúva aos trinta anos... Joelma tinha cancer, não sabemos dizer ao certo ha quanto tempo, só fomos testemunhas do sofrimento dessa menina nos ultimos meses, sem podermos ajudar em nada a não ser com nossas orações. De todas as lembranças que tenho de Joelma, em nenhuma posso ve-la triste... estava sempre com um sorriso largo para quem a encontrava... Dói tanto perceber que nunca mais a veremos, que nunca mais ela dirá pra mim: "E aí gata, quando é que tu vai lá com a gente?" ou então " Égua mana, tu abandonou a gente!".
Ao escrever aqui, estou lembrando da reação de cada um da família, ao entrar na pequena sala onde estava o corpo, trancado em uma urma de madeira de cor clara, com apenas um pedaço de vidro na tampa, ela usava um vestido branco, de mangas e gola tipo canoa, estava tão palida, mais parecia ser outra pessoa, no pulso direito uma fita lilás se Sant'Ana (presente da irmã Janaína), não havia flores, apenas algumas velas sobre a urna, um sofá de tres lugares de um lado e um de dois lugares do outro, ambos com uma capa amarelada e estampada, na cabeceira da urna, uma estante de ferro vermelha com alguns bibelos e um porta retrato com uma foto de Joelma com seu filho Henrique (tbm ja falecido), com a aquele mesmo sorriso que estávamos acostumados a ver... Pessoas entrando e saindo, olhavam o rosto pálido e ja um pouco inchado de minha prima, alguns oravam, outros choravam... os familiares demoravam mais tempo. O namorado num cantinho, timidamente deixava as lagrimas correrem seu rosto, e de vez em quando tirava um pedaço de fotografia da carteira, nele esta Joelma, a outra parte estava na carteira dela, era a parte em que ele estava...
Jardel (irmão), foi um dos que mais me chamou a atenção, ele olhava pelo vidro como se estivesse dizendo algo com os olhos, pode ser que eu esteja enganada, mas acho que ele perguntava porque ela não disse nada a ele, eram tão amigos, por que ela deixou que a morte chegasse ate ela... observei o movimento das mãos, tive a impressão de que ele queria quebrar aquela urna e abraçá-la tão forte, como se assim pudesse trazê-la de volta... nenhuma lágrima em seus olhos, apenas dor, mais tarde, sozinho, chorava como uma criança, atras da casa, longe dos olhos curiosos... mas eu estava lá, sentindo também aquela dor, e me sentindo culpada por nao poder fazer nada... os outros irmãos evitaram a sala até a hora do sepultamento, mas todos se curvaram diante da urna, não como sinal de respeito a ela, mas pela dor da saudade que era tamanha. Janaína, parecia ou queria parecer uma fortaleza, sendo a unica filha mulher que restou, acredito que sentia a necessidade de parecer forte, para consolar a mãe, o pai, os irmãos e os sobrinhos, agora órfãos de pai e mãe, mas pude ver a profunda tristeza em seus olhos. Junior, Joaquim, Júnior, Josivan, Emanoel, Jonilson e Jordam, cada um sofrendo a sua maneira. Tia Léia e tio José também choravam muito, de diziam repetidas vezes que haviam perdido a filhinha deles...
Ronald e Renilce (os filhos), talvez sejam os personagens que mais inspiram cuidados nesse momento, ambos permaneciam perto da urna o tempo todo, saiam, se destraíam, mas em seguida la eastavam, olhando e se despedindo do mamãe, e mesmo o mais bruto dos homens, choraria diante das palavras comoventes das duas crianças, que lamentavam não mais ter o papai, e agora a mamãe...
Não fui ao sepultamento, para mim é um dos momentos de maior dor para a famíllia, é como se estivessemos enterrando não só o corpo, mas as lembraças daquela pessoa, prefiro imaginar que Joelma está viajando, e que em breve nos encontraremos, numa avenida qualquer e ela me dirá: " E aí gata, quando é que tu vai la com a gente? ou "Égua, tu abandonou a gente mesmo né?, só que dessa vez eu direi: " Não, foi voce que nos abandonou...

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